
Em nota, PT e PMDB confirmam pré-acordo para 2010
Agência Estado
MUDAR O MUNDO SEM TOMAR O PODER.
* Ivandilson Miranda Silva

“Não vêem que, se nos rebelamos contra o capitalismo, não é porque queremos um sistema de poder diferente, é porque queremos uma sociedade em que sejam dissolvidas as relações de poder. Não se pode construir uma sociedade de relação de não-poder por meio da conquista do poder. Uma vez que se adota a lógica do poder, a luta contra ele já está perdida.”
JONH HOLLOWAY
Vivemos numa sociedade preconceituosa, machista, baseada nas relações de poder em que as pessoas querem audiência o tempo todo, querem mandar, querem falar, querem impor, querem se vitimizar, querem ter, querem cobrar, querem criticar, querem aparecer, querem comandar, querem afirmar suas verdades. Mas essas pessoas não querem refletir, não querem ouvir, não querem fazer autocrítica, não querem ser cobrados, não querem se colocar no lugar do outro, não querem conviver e respeitar outras verdades.
Nós criamos nossos próprios fantasmas, nosso próprio inverno, nossa própria angústia, criamos um universo paralelo cheio de orgulho e falta de compreensão, onde aquele que é contra o meu posicionamento deve ser eliminado. Que mundo miserável estamos criando pra gente, que mundo mesquinho queremos viver. E somos nós que criticamos o governo, os políticos corruptos, o servidor público, somos o reflexo dessa realidade que se esqueceu de viver e passou a se angustiar, se esqueceu de viver e passou a falar da vida alheia, se esqueceu de viver para tentar controlar os outros. Que mundo é esse que todos querem poder, poder, poder?
No livro MUDAR O MUNDO SEM TOMAR O PODER, Holloway (2003) nos mostra que o desafio da sociedade está em desenvolver o anti-poder e defende que mudar o mundo deve ser entendido como negação de qualquer tipo de poder e submissão. Será que podemos destruir todas as formas de poder? Isso é uma utopia ou uma necessidade da humanidade para libertar-se da opressão e do controle? Será que queremos mudar o mundo sem tomar o poder?
Deixo as perguntas para vocês, pois acho importante pensarmos alternativas para melhorar a sociedade e as relações entre as pessoas. Nós somos responsáveis pelas transformações positivas e negativas que são produzidas no mundo.
Referências
HOLLOWAY, John. Mudar o Mundo Sem Tomar o Poder: O Significado da Revolução Hoje. 1ª ed. São Paulo, Viramundo, 2003.
_____________________________________________________________________________ *Graduado em Filosofia Pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL), Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação Pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Professor de Filosofia e Sociologia na Fundação Baiana de Engenharia (FBE) e no Colégio Acadêmico de Villas do Atlântico, Músico da Banda Periferia, Colaborador e Professor de Cinema e Contextualização na Associação Educacional, Cultural e Ambiental Comunidade Universitária, Leciona as Disciplinas Humanidades I e II na UNIME – PARALELA, Salvador, Ba. E-mail: Ivandilson-silva@ig.com.br, Blog: http://Ivandilsonmiransda.zip.net
NORMOSE

Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de NORMOSE, A DOENÇA DE SER NORMAL. Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se “normaliza” acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo. A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa… Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes. Martha Medeiros. 
Este conceito é desenvolvido no livro NORMOSE: A PATOLOGIA DA NORMALIDADE, dos autoresPierre Weil, Roberto Crema, Jean Yves-Leloup. Ed. Verus).
Sugestão de texto:Fábio Costa, Acadêmico de ADM da UNIME-SALVADOR.
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