
Emanuella Sombra, do A TARDE
O que aconteceu naquele fatídico amanhecer em que o marechal Deodoro da Fonseca deu o golpe de estado responsável por derrubar a monarquia não parece familiar à maioria dos soteropolitanos. A TARDE foi à rua e entrevistou engenheiros, aposentados, estudantes, funcionários públicos e profissionais liberais, mas nenhum soube descrever corretamente o 1889 no Rio de Janeiro. Historiadores explicam que o desconhecimento vai além de um 2° grau mal feito.
Mestre em história social e professor de história do Brasil com ênfase na Bahia, o pesquisador Edinaldo Souza explica que a proclamação foi liderada por setores do Sudeste, e que na Bahia não contava com a simpatia popular, tampouco das oligarquias agrícolas. Tanto que os baianos só conheceram o golpe às 16 horas do dia 15. “O Estado foi a última a aderir. Aqui, a República só foi proclamada no dia 16, e re-proclamada no dia 17”.
A “dupla” proclamação se deu, de acordo com o historiador, porque o recém nomeado ministro Ruy Barbosa não ficara satisfeito com a indicação de Virgílio Damásio para governador, preferindo Manoel Vitorino. “É provável que o povo não tenha visto com bons olhos a queda do imperador (D. Pedro II), muito porque a proclamação chegou numa época de popularidade da monarquia, em decorrência da abolição da escravatura um ano antes”. Terem transformado a figura do inconfidente Tiradentes em ícone republicano foi outro sintoma dessa impopularidade.
Tal qual a cena protagonizada por Deodoro no Rio, na então Praça da Aclamação, aqui houve um movimento mais ou menos encenado e sem a participação do povo. Em Salvador, os dois golpes foram selados no Forte de São Pedro, próximo ao Palácio da Aclamação do Campo Grande, mas “não foram recebidos com festa”. Aos acostumados com as tradicionais mobilizações do 2 de julho, um aviso: a ignorância está, em parte, perdoada.

O trio norueguês a-ha anunciou que vai se separar em 2010. O anúncio foi feito através de um comunicado no site oficial do grupo. Segundo a nota, a separação é amigável e visa apenas a possibilidade dos integrantes se dedicarem a outras atividades, como trabalhos humanitários e política. A banda fará uma turnê mundial em 2010 para se despedir dos fãs. As datas ainda não foram divulgadas, mas o último show da carreira do a-ha está marcado para dia 04 de dezembro de 2010, em Oslo, país natal do vocalista Morten Harket, do guitarrista Paul Waaktaar-Savoy e do tecladista Magne Furuholmen.
Saia curta e privataria
Uma das maiores tragédias do neoliberalismo foi difundir amplamente o circuito de instituições de ensino privado pelo país afora. No Brasil, foi a “privataria” promovida pelo ex-ministro Paulo Renato – ex aluno, professor e reitor de universidade pública -, que depois passou a ser proprietário de entidade privada de assessoria a instituições privadas de ensino – via de regra, as mesmas que promoveu e autorizou a criação.
O que deveria ser direito, passou a ser mercadoria, bem a ser comprado no mercado, conforme o poder aquisitivo de cada um. A educação, que deveria diminuir as desigualdades originais das nossas sociedades, passou a multiplicá-las. A política de cotas – especialmente a partir do projeto de lei do governo federal, que reserva 50% da vagas de universidades públicas aos estudantes originários de escolas públicas – minora um pouco essa situação, se, resolvê-la.
A grande maioria dos estudantes universitários brasileiros está hoje em instituições privadas. Sem generalizar uma avaliação da qualidade do ensino nelas, pode-se dizer que o princípio de uma educação privada é ruim: paga-se para estudar, portanto, se se deixa de pagar, se deixa de ter o direito de seguir cursando. O princípio mercantil do custo-benefício preside essas instituições, que disputam alunos muito mais pelos preços que oferecem do que pela qualidade do ensino.
Há universidades e faculdades privadas, que mais parecem um shoping-center, em que fica difícil localizar onde está a secretaria, as salas de aula, o auditório, escondidos atrás de McDonalds e outras lojas. Sua visão mercantilista do ensino transforma definitivamente a educação numa busca de inserção no mercado. A grande maioria dos professores são superexplorados, ganham por hora-aula, sem contrato, não tem horário para pesquisa, nem carreira docente, trabalham em total precariedade.
O episódio de expulsão da moça que supostamente usava saia muito curta revela o universo desse tipo de instituição, supostamente de caráter educacional. Por si só – pelo comportamento maciço dos alunos e da diretoria da instituição – deveria servir para desqualificá-la como centro educativo. Provavelmente voltaram atrás na expulsão para tentar preservar o nome – o marketing – da Universidade e não porque consideram que foi uma decisão errada. Teve repercussões negativas “no mercado”, afetou o nome da empresa.
Um episódio como esse deveria servir para elevar em termos educativos, culturais, éticos, a todos os que participaram ou tiveram conhecimento dele. A direção da Universidade envolvida deve ser condenada e sua licença de funcionamento, questionada.
Trata-se de uma radiografia do que são esses espaços criados e formalizados pela privataria tucana. Muito mais arapucas de vender diplomas, centros comerciais, do que instituições que merecessem a classificação de educacionais.
Numa democracia a educação tem que ser gratuita, universal, pluralista, laica e de qualidade, para todos. Os que, por razões religiosas ou outras, querem matricular seus filhos em escolas religiosas, poderão fazê-lo, mas essas escolas não deveriam receber subsídios públicos, reservados para as escolas públicas.
Postado por Emir Sader (Grande Mestre das Ciências Humanas)
Sugestão de matéria: Zelita Santana , Acadêmica de Psicologia da Unime-Paralela.

Levo ao conhecimento dos meus leitores que a amiga Edna Sueiro de Almeida, necessita de transferência de sangue para procedimento terapêutico. Serão necessários 10 doadores de sangue de qualquer grupo. Os amigos que puderem colaborar deverão dirigir-se ao IHEBA (Instituto de Hematologia da Bahia), á rua da Flórida, n° 04, Graça, nos horários de 8:00 ás 11:00h.
Edna trabalhou no colégio Delta na sede de Brotas e na FacDelta da Paralela, antes da mudança para Unime. Agradeço a solidariedade.
Requisitos para doação:
Idade: 18 a 65
Peso: acima de 50 kg
Estar alimentado
OS VINTE ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM: PERDAS E DANOS QUE AINDA NÃO FORAM RECUPERADOS
* Ivandilson Miranda Silva
No dia 09 de novembro “comemorasse” o vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, fato que marca a desestruturação do chamado Socialismo Real. O muro foi construído em agosto de 1961 para repartir a Alemanha entre os aliados (os russos, os americanos, os ingleses e os franceses) que desde 1945 administravam Berlim por terem derrotado o nazismo.
A Inglaterra, a França e os EUA, representantes do bloco capitalista chegaram a um acordo consolidando a Alemanha Ocidental ou República Federal da Alemanha (RFA), e os soviéticos formaram a República Democrática Alemã (RDA), O mundo bipolar determinava essa divisão e a separação de histórias de vida de gente que nem se sentia representada pelo capitalismo ou pelo socialismo.
A União Soviética e os EUA estavam juntos para vencer Hitler e depois dividir um país para satisfazer seus interesses ideológicos e de expansão dos impérios. O saldo dessa Guerra Fria muito bem conceituada por histoiriadores e cientistas políticos não foi bom para o povo alemão como um todo. Nem o lado oriental, nem o ocidental sairam vencedores desse processo.
Por incrivel que pareça a Alemanha ainda não foi unificada, mesmo depois de vinte anos da queda do muro de Berlim, pois os relatos de jornalistas e especialistas na questão apontam para um atraso tecnológico e estrutural no lado oriental. Ainda existem duas Alemanhas.
Fica comprovado que essa necessidade de dividir os bens de um casamento efêmero entre capitalistas e socialistas, cerimonializado na segunda guerra só fez aumentar as diferenças entre os lados ocidental e oriental. O capitalismo não tem mais interesses no lado que era comunista? Ou isso faz parte de uma estratégia para mostrar que o atraso é culpa (ainda) dos amigos do grande irmão Stalin?
Para confortar e talvez se animar com o futuro, A chanceler alemã Angela Merkel é oriunda do lado oriental. A queda do muro de Berlim começa a por um fim a Guerra Fria na Europa e no mundo.
A partir do final de 1989, iniciamos um novo ciclo histórico com a predominância do capitalismo e desaparecimento do debate ideológico e (também) da bipolaridade. A unipolarização, a globalização, as guerras étnicas, as crises econômicas, o desenvolvimento da tecnologia e a redemocratização de países que viviam sob ditaduras, inclusive o Brasil com a eleição entre Lula e Collor, dão a tônica da nova ordem mundial. Mas ainda existem muitos muros para derrubar depois de vinte anos.
_____________________________________________________________________________________
*Graduado em Filosofia Pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL), Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação Pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Professor de Filosofia e Sociologia na Fundação Baiana de Engenharia (FBE) e no Colégio Acadêmico de Villas do Atlântico, Músico da Banda Periferia, Colaborador e Professor de Cinema e Contextualização na Associação Educacional, Cultural e Ambiental Comunidade Universitária, Leciona as Disciplinas Humanidades I e II na UNIME – PARALELA, Salvador, Ba. E-mail: Ivandilson-silva@ig.com.br, Blog: http://ivandilsonmiranda.zip.net
Beatriz Garcia | A TARDE*

Estudantes fazem o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) neste domingo, 8. Na Bahia, 49.088 universitários fazem a prova. No Brasil esse número é de 1,1 milhão. O clima no Colégio Estadual Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, antes da aplicação do exame, era de que a maioria iria realizar a prova, mas integrantes do Diretório de Estudantes da Ufba tentavam convencer os alunos a boicotar a avaliação. Eles distribuíram adesivos dizendo "Nota zero para o Enade, boicote já. Por uma avaliação de verdade".
O estudante de Direito da Ufba, Wanderson Pimenta, aderiu ao boicote. Ele deixou a sala com o tempo mínimo de 30 minutos e disse que respondeu apenas uma pergunta sobre quilombolas "por simpatizar com a causa". "O Enade é uma forma de mascarar as falhas do ensino superior, tentando colocar a culpa no ensino da universidade, sendo que a culpa não é só da universidade, mas também da política pública do país". Ele defende que o Ministério da Educação (MEC) faça um outro tipo de avaliação que também observe aspectos como pesquisa e extensão nas universidades.
Enquanto Wanderson se negou a realizar a prova, alguns alunos ficaram chateados ao chegar atrasados. Foi o caso da aluna de Contabilidade da Unicenid, Edvânia dos Santos, que saiu às 9h de Candeias de ônibus, no meio do caminho seguiu de táxi, mas chegou com um minuto de atraso e encontrou os portões fechados.
O coordenador da prova no Odorico Tavares, Manoel Calazans, disse que quem não realizou o exame não terá o diploma de conclusão do curso liberado. "Não tem como justificar a ausência. O aluno que não chegou a tempo será convocado para o Enade do ano seguinte e fará uma prova diferenciada com questões do ano anterior". O exame também é voltado para estudantes do primeiro ano de faculdade.
|
|
||
|
||
|
|
||
|