AMOR21:AS RELAÇÕES EM FOCO


“É PROIBIDO PROIBIR”, MAS É DEMOCRÁTICO NÃO QUERER OUVIR: REFLETINDO SOBRE A POLÊMICA DO PAGODE BAIANO.

 

Ivandilson Miranda Silva *

 

Mais dias, menos dias, essa discussão teria de vir à tona. O pagode baiano, ou melhor: a parte do pagode baiano de baixo nível está nas páginas dos jornais impressos, nos noticiários televisivos, nas rádios, nas ruas de Salvador e em todo o Brasil, depois da reportagem do programa Fantástico do domingo, 31 de julho de 2011.

 

É lamentável que a nossa música tenha chegado nessa situação trágica e o pagode baixo astral é apenas a ponta do iceberg. O Funk carioca (salvo raríssimas exceções) é terrível, as bandinhas coloridas de rock (os filhos dos TELETUBBIES) são fraquíssimas, o forró hollywoodiano estimula a produção de testosterona por expor várias mulheres em micro-trajes nos shows. Enfim, a falta de conteúdo em boa parte dos gêneros musicais é uma triste realidade.

 

A parte do pagode baiano de baixo nível (sem generalizar, pois existem bons grupos à exemplo do Harmonia do Samba) tem mobilizado diversas opiniões por conta do projeto da Deputada Luiza Maia (PT) que propõe a proibição do uso de dinheiro público para a contratação de bandas cujas músicas incentivam o preconceito e a violência contra as mulheres. O projeto bate de frente com as “músicas” produzidas por essas bandas.

 

Alguns títulos das músicas criticadas pelo projeto dão a exata dimensão do abismo em que estamos. Espero que os leitores possam suportar tanta concentração de preconceito e revolta contra as mulheres. Vamos lá!

 

Esfrega a Xana no Asfalto“, “Me dá a Patinha”, “Piroca No Peito“, “Cretina”,” Todo enfiado”, são exemplos da péssima linha de composição adotada por esses grupos. Ouvir e dançar ao som dessa excrescência (algo inútil e desnecessário) é aceitar a concepção de mulher objeto tão combatida pelos movimentos sociais ao longo de todo século XX.

 

Temos o direito de criticar e não querer ouvir esse tipo de “música”, mas proibir a contratação pública dessas “bênçãos” através de um projeto, acaba fortalecendo e dando “Ibope” a essa “gente que não se respeita”. Mas, mesmo sem aprovação de nenhuma lei qualquer prefeitura ou governo, tem o direito de escolher as suas atrações musicais primando pela qualidade dos seus trabalhos. Governante que se preza não contrata bandas que pregam a violência e a desvalorização do papel da mulher na sociedade.

 

É preciso estimular movimentos que questionem o vazio que anda rondando a existência humana nesse “começo de era”. Coisas superficiais como: livros (os de auto-ajuda principalmente), músicas, programas de televisão sensacionalistas, políticos e até instituições educacionais, devem ser repensadas. “É preciso cultura para cuspir na estrutura”, já dizia o velho e bom Raul Seixas.

 

 

*Um servo do saber em busca da batida perfeita.



Escrito por ivandilson-miranda às 21h43
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